Em resumo
- Um bom site de escritório responde em segundos a 3 perguntas: quem são, em que podem ajudar e como se marca uma conversa.
- As páginas por área de prática e o perfil no Google trazem mais clientes do que qualquer efeito visual.
- Pode dispensar blogue diário, chat automático, galerias de fotografias e páginas que ninguém vai atualizar.
- A Ordem tem regras sobre publicidade, e um site sereno e informativo cumpre-as sem esforço.
Muitos escritórios de advocacia e contabilidade vivem do passa-palavra, e funciona. Mas hoje, mesmo quem chega por recomendação pesquisa o nome no Google antes de ligar. Se não encontra nada, ou encontra um site de 2012 que não abre bem no telemóvel, a confiança perde-se antes da primeira conversa.
A boa notícia é que o site certo para um profissional liberal é mais simples do que parece.
As 3 perguntas que o site tem de responder
Quem visita o site de um advogado ou contabilista tem, quase sempre, um problema concreto: uma herança, um despedimento, a primeira declaração de IRS como trabalhador independente, uma empresa para abrir. Essa pessoa quer saber, em poucos segundos:
- Quem são e se são de confiança.
- Se tratam do seu tipo de problema.
- Como os pode contactar, e quando.
Tudo o resto é secundário. Se a página inicial responder a estas 3 perguntas sem obrigar a procurar, já está à frente da maioria dos escritórios da sua zona.
O que precisa mesmo
Uma página por área de prática
Em vez de uma lista com 12 áreas numa só página, crie uma página curta para cada área que realmente trabalha. Direito da família, laboral, imobiliário. Contabilidade para empresas, IRS de independentes, apoio na criação de empresas. Cada página explica, em linguagem simples, que problemas resolve, como funciona o processo e que documentos o cliente deve trazer. É isto que o Google usa para o mostrar a quem pesquisa "advogado de família em Braga" ou "contabilista para trabalhadores independentes".
Quem está por trás
Uma fotografia profissional, o número de inscrição na Ordem, a formação e 2 ou 3 linhas sobre a forma de trabalhar. As pessoas contratam pessoas. Um rosto e um nome fazem mais pela confiança do que qualquer frase de efeito.
Contacto sem atrito
- Telefone que se toca para ligar, no telemóvel.
- Morada com mapa e indicações de estacionamento.
- Um formulário curto: nome, contacto, assunto em 2 linhas.
- Horário de atendimento e quanto tempo demora a resposta, por exemplo "respondemos num dia útil".
O perfil no Google
Não faz parte do site, mas trabalha com ele. O Perfil da Empresa no Google é gratuito e é o que aparece no mapa quando alguém pesquisa por serviços perto de si. Preencha-o com a mesma morada e telefone do site, escolha a categoria certa e peça a clientes satisfeitos que deixem uma avaliação. Para um escritório local, isto traz muitas vezes mais contactos do que o próprio site.

O que pode dispensar
Há coisas que aparecem em muitas propostas de agências e que, para um escritório pequeno, só custam dinheiro e manutenção:
- Um blogue com publicações semanais. Se não tem tempo para escrever, é melhor ter 4 artigos úteis e intemporais do que 30 desatualizados.
- Chat automático na página. Em assuntos jurídicos e fiscais, as pessoas querem falar com alguém, e um robô que responde mal tira credibilidade.
- Animações, vídeos de fundo e efeitos ao fazer scroll. Tornam o site mais lento e não ajudam ninguém a decidir.
- Áreas de cliente feitas à medida, quando o seu software de contabilidade ou gestão processual já tem uma.
- Galerias de fotografias do escritório. Uma boa fotografia da equipa chega.
Regras da profissão e RGPD
Os advogados têm regras próprias sobre publicidade, definidas no Estatuto da Ordem, e os contabilistas certificados têm o seu código deontológico. Na prática, um site informativo, sem promessas de resultados nem comparações com colegas, está no lado seguro. Em caso de dúvida, confirme com a sua Ordem antes de publicar.
Quanto ao RGPD, o formulário de contacto deve dizer para que servem os dados e por quanto tempo são guardados, e o site precisa de uma política de privacidade e de um aviso de cookies honesto. Nada disto é complicado, mas tem de estar lá.
Quem atualiza o site depois
Um site de escritório muda pouco, mas muda: um novo sócio, uma área nova, um horário de verão. Peça um site que a sua equipa consiga editar sozinha, num editor simples, sem depender de ninguém para trocar uma frase. E garanta que o domínio e o alojamento ficam em nome do escritório.
Um site pequeno, rápido e atualizado vale mais do que um site grande que ninguém mexe desde o dia em que foi lançado.
Por onde começar
Se o seu escritório ainda não tem site, ou tem um que já não o representa, comece pelo essencial: uma página inicial clara, uma página por área, quem são e como contactar. Em poucas semanas fica com uma presença credível, fácil de encontrar e que consegue atualizar sozinho. Se quiser, vemos juntos numa conversa o que faz sentido para o seu escritório e o que pode ficar de fora.
Perguntas frequentes
Quantas páginas deve ter o site de um escritório pequeno?
Normalmente entre 5 e 10: página inicial, uma página por área de prática, quem somos, contactos e a política de privacidade. Mais do que isso só se houver quem as mantenha.
Um advogado pode fazer publicidade no site?
Pode divulgar informação objetiva sobre o escritório e as áreas em que trabalha, dentro das regras do Estatuto da Ordem. Promessas de resultados e comparações com colegas ficam de fora.
Preciso de um blogue para aparecer no Google?
Não é obrigatório. Páginas claras por área de prática e um Perfil da Empresa no Google bem preenchido fazem a maior parte do trabalho. Alguns artigos úteis ajudam, se forem mantidos.